O cheque-camisola

O Paulo Guinote comentou com grande acuidade mais um texto em defesa do cheque-ensino.

O autor é mais um crente absoluto nas virtudes absolutas da concorrência e dos mercados, com Milton Friedmann no Céu e as empresas na Terra. No que respeita à Educação, trata-se de mais um ignorante tão atrevido que se torna divertido.

Como qualquer pessoa que esteja convencida de que descobriu a pólvora, recorre a comparações que lhe parecem tão óbvias que poderiam iluminar as mentes mais obtusas. Assim, para explicar que a concorrência é coisa boa, pergunta retoricamente: “Afinal, onde está o problema de alguém que vai a uma loja de roupa (comprar uma camisola), escolher a camisola que paga?”

Realmente, o problema não existe: haja dinheiro e a camisola compra-se. Devo confessar, no entanto, que recebo, todos os meses, um cheque-camisola, embora alguns lhe chamem ordenado. De qualquer modo, é graças a esse cheque-camisola que posso adquirir todo o meu vestuário. Dentro do exercício da liberdade individual, posso, até, escolher uma camisola que não me sirva e que tenha uma cor que odeie.

Já se sabe que as comparações serão sempre imperfeitas: não há nenhuma loja em que se possa experimentar várias escolas e, no fim, dizer “Levo esta.”

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