O já tradicional texto sobre o campeão nacional de futebol

Ser campeão é melhor que não ser campeãoNos últimos anos, tenho escrito também sobre esse fenómeno sociológico que é o futebol. Devo dizer, ainda assim, que gosto mais de futebol do que desse fenómeno sociológico que é o futebol.

O primeiro é, para mim, fonte de deslumbramento, mesmo quando os artistas são inimigos, pelo que o facto de ter torcido pelo João Alves não me impediu de ficar maravilhado com a arte do Oliveira ou do Manuel Fernandes e de muitos outros que maltrataram o Benfica, sempre que puderam. O facto de gostar genuinamente de futebol não me livra do sofrimento de qualquer adepto e não me impede de ser cruelmente provocador com os amigos que – e sobretudo quando – sofrem por outros clubes. Se tivesse mais tempo livre, iria desperdiçá-lo a ver muitos jogos de futebol, de preferência nos estádios e se possível na companhia de amigos, com direito a cervejas e bifanas. Escrever sobre futebol? Sinceramente, não me apetece, que melhor é vivê-lo que escrever sobre ele, o que o torna estranhamente parecido com o sexo, para não sairmos do âmbito dos desportos colectivos (e não se atrevam a corrigir-me, porque, estando sozinho com uma bola, joguei, muitas vezes, contra adversários imaginários).

Sobre o fenómeno sociológico que é o futebol tenho escrito algumas vezes, exactamente porque me desagrada, porque é pasto de comportamentos idiotas e fonte de debates inúteis acerca de superioridades morais, porque corresponde a um espaço discursivo pobre e desonesto, porque, enfim, constitui uma competição desportivamente desinteressante em que quase todos os intervenientes são igualmente maus e merecem todos perder. Entre outros fenómenos, basta ver o tempo de antena concedido a adeptos que se portam como se estivessem numa tasca (e adoro tascas, que são os locais apropriados para se dizer disparates) ou a crónica e desonesta culpabilização dos árbitros, outro tópico típico das tascas.

A propósito do título deste texto, e para demonstrar que é uma tradição minha, é bom que se saiba que também escrevi sobre o campeão de 2011, 2012 e 2013, por muito que me tenha custado. Se, em 2015, me custar, procurarei, mesmo assim, respeitar a tradição.

Dito isto, limito-me a repetir o que escrevi em 2010: ser campeão é melhor do que não ser campeão. Há uma diferença, no entanto: nessa época, o Braga poderia ter ficado em primeiro lugar. Este ano, não houve concorrência à altura e o resto é conversa.

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