Dia Internacional contra a Mulher

2557475De boas intenções está o Inferno cheio, costuma dizer-se, mas para lá chegar, na maior parte dos casos, não é preciso, sequer, sair de casa, porque infernos, como chapéus, há muitos. O Dia Internacional seja do que for nasce sempre de boas intenções e a mulher merece as nossas melhores intenções e também algumas das piores, porque há más intenções que podem ser boas para todos, não sei se me entendem. Eu entendo-me.

Tenho pouca tendência para comemorar por obrigação, com dias marcados para se ser bom com as criancinhas ou para se dar esmolas aos pobrezinhos. Há, até, dias marcados para uma pessoa se embebedar ou para menear as ancas contra o ritmo do samba, que é aquilo que muitos portugueses despidos fazem no Carnaval invernoso que temos.

Claro que há aqui uma certa dose de caturrice e, sobretudo, de preguiça, defeitos que contribuem imenso para fazer de mim a pessoa encantadora que julgo ser.

Dito isto, confesso que não tenho o hábito de comemorar o Dia Internacional da Mulher, mesmo aceitando que haverá muitas e boas razões para isso. O problema destes dias, no entanto, poderá estar na tendência para ser intervalo, quando deveria ser hábito.

Acrescente-se que há mulheres que não merecem ser respeitadas ou que há momentos em que não merecem sê-lo, facto que as torna estranhamente parecidas com os homens.

Chegado a este momento, tenho, então, uma proposta: vamos transformar o Dia Internacional da Mulher num verdadeiro intervalo. Respeitando a legalidade e o bom senso, neste dia, ao contrário de todos os outros, deveria ser obrigatório tratar mal as mulheres, chamar-lhes nomes na rua, lançar-lhe piropos de mau gosto. Poderíamos, mesmo adoptar os trajes dos caretos e persegui-las na rua, o que seria bom para a economia.

Em contrapartida, defendo a criação do Dia Internacional do Homem, porque também quero, por uma vez na vida, ser assediado por mulheres na rua, sem que isso implique referências a qualquer tipo de pagamento.

No resto do ano, seria simples: basta sermos uns homenzinhos, esse raro diminutivo que nasce de uma crítica para se transformar num aumentativo ético.

Espero, portanto, que as mulheres que me lerem hoje se sintam devidamente maltratadas. Queriam respeito? Esperem por amanhã.

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Uma resposta a Dia Internacional contra a Mulher

  1. Ângela Queiroz diz:

    É uma leitura muito justa e acertada sobre os Dias Internacionais de…, mas, infelizmente, continua a ser necessário haver uma dia de alerta para muita coisa, entre outros, para a mulher! Os seres humanos são pouco benevolentes e é pena que assim seja!

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