Os debates e as emoções

raivaPor vezes, no meio de um debate, um dos oponentes reclama para si a força da razão, quando descobre ou inventa (o que vem a dar no mesmo) irritação ou emotividade no comportamento ou nas palavras do adversário. O estereótipo que se esconde por trás deste pseudo-argumento pode resumir-se assim: a razão é sempre tranquila e, portanto, a tranquilidade tem sempre razão.

Pelo meio, pululam outras ideias feitas, como a da separação absoluta entre razão e emoção ou a da importância das aparências, em que a serenidade de uma gravata, por exemplo, terá sempre melhores argumentos do que um colarinho torto.

Se a calma fosse sinal inequívoco de força argumentativa, não haveria pessoa mais cheia de razão do que Nuno Crato. Pensando no ministro da Educação, não posso deixar de reconhecer, contudo, que a serenidade é uma característica fundamental para se ser um bom atirador furtivo, função que vem desempenhando com grande sucesso.

O problema desta crença é o de desviar o debate daquilo que é verdadeiramente fundamental: os argumentos. Concentremo-nos, pois, nas palavras, que os estados de espírito não são para aqui chamados.

 

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