A vida do cronista Henrique, esse Raposo

Henrique Raposo, no que se refere a habilitações académicas, é licenciado em História e mestre em Ciências Políticas. Como cronista, é frequentador de cafés e fala frequentemente com os amigos.

Já se sabe que a formação superior pode ser prejudicial: há pessoas que, por vezes, têm de mentir no que se refere às habilitações; para Henrique Raposo, o rigor das Ciências Sociais e Humanas é um empecilho de que se desembaraça, especialmente quando escreve sobre questões sociais e humanas.

Hoje, depois de ter telefonado a uns amigos durante a semana, decidiu que os portugueses não têm mais filhos, porque todos gastam tudo em playstations ou em ipads ou em viagens anuais, investindo o dinheiro todo num único filho que acaba por ser, naturalmente, filho único.

É claro que, se Henrique Raposo se dispusesse a recorrer a instrumentos das ciências sociais, poderia, pelo menos, colocar a hipótese de que há pessoas que, por terem passado a ganhar menos ou nada, descobriram que poderiam ter muitos problemas para alimentar e vestir os hipotéticos descendentes ou em proporcionar-lhes a viagem diária até à escola, essa belíssima alternativa à viagem anual às estâncias balneares da moda.

É claro que isso implicaria perder algum tempo a pensar e, até, a sentir, duas actividades de que Raposo prescinde, porque, de outro modo, não poderia ser o cronista orgulhosamente marialva que é.

O meu fascínio ocasional pelas crónicas de Henrique Raposo é o mesmo que me leva a deliciar-me com a cultura fácil dos que decidem os problemas nacionais, enquanto jogam bilhar de bolso, emborcam um copo de três ao balcão e afiançam que o lance que está a passar na televisão é ou não penalty. No fundo, o Raposo, por muito que escreva num jornal de referência, é o grunho que vê uma manifestação nas notícias e arrota qualquer coisa como “Haviam mas era de ir fazer meninos para casa. Eu, por mim, já lá tenho três, não há cá paneleirices. Inda no outro dia, um pediu-me um computador, mandei-lhe dois berros e emprenhei a patroa. Mainada! Querias um computador? Toma lá mais um irmão! Diz que não há crianças ó o carago! É foder prà frente e prontos!”

 

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