A morte dos bons torna pior a vida dos maus

A notícia do dia consiste no facto de que Cavaco Silva, finalmente, acertou, o que é tão raro que deve ser destacado: enviou as condolências ao povo sul-africano pela morte de Mandela. Já não é, de qualquer modo, a primeira vez que manifesto a minha solidariedade com Cavaco.

É certo que não acertou por mérito individual, porque tem uma equipa que lhe escreve os discursos e que lhe lembra as horas das refeições, mas isso não torna menos importante o incentivo a um homem que tem falhado tanto ao longo da vida e que faz questão de continuar.

Já se sabe que a linguagem diplomática é frequentemente hermética, mas não consegui descobrir, na mensagem do Presidente da República, enviada também “em nome pessoal”, nenhum pedido de desculpas por ter dado ordem para se votar contra a libertação de Nelson Mandela, em 1987, ao lado dos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido. Nesse mesmo ano, fazia, também, parte do governo português um certo Durão Barroso, hoje também carpideira.

Entretanto, o legado de Mandela é, verdadeiramente, património imaterial da humanidade e as palavras de Cavaco fazem-lhe justiça. Por ironia, essas mesmas palavras nunca se poderão aplicar àquele que as assina: a morte pode ser muito cruel para quem ainda está vivo.

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