Vou comprar uma escola

dinheiro_euros_notas_reutersO guião de Reforma do Estado prevê, na p. 73, a hipótese de que os professores possam, de certo modo, comprar as escolas em que dão aulas. Em princípio, estou interessado, é claro, mesmo sabendo que em Janeiro vou passar a ganhar menos. Acredito, no entanto, que a aquisição de uma escola poderá constituir um meio de poupança.

Assim, mal compre a minha escola, poderei passar a pernoitar no local de trabalho, o que me permitirá poupar combustível, evitando o risco de chegar atrasado ou de faltar às aulas por causa do trânsito. Uma frase como “A minha vida é casa-escola-escola-casa!” deixará de fazer sentido. Poderei aproveitar a própria campainha da escola para funcionar como despertador e se, por acaso, me atrasar na higiene matinal, poderei, comodamente, dar as primeiras aulas de roupão, o que contribuirá, de qualquer modo, para a criação de um ambiente mais descontraído e, portanto, propício à aprendizagem.

É evidente que colocarei a minha casa à venda, incluindo móveis e electrodomésticos. Os meus livros irão fazer parte da biblioteca da escola, o que é de toda a conveniência, porque não gosto de estar longe deles. Levarei comigo um ou outro bibelot e as fotografias dos meus filhos. É deste modo que a expressão “a minha escola” ganhará outro valor, tal como a de ser um professor “da casa”. A afeição que passarei a sentir pelo local de trabalho aprofundar-se-á de tal modo que deixarei de ser professor efectivo para passar a professor afectivo.

Receber encarregados de educação passará a fazer-se de modo mais caloroso e já me imagino a oferecer um chá, um café, um biscoito, ora essa não incomoda nada, ia agora mesmo fazer para mim.

Amanhã, quando entrar na minha escola, sentir-me-ei não apenas um professor, mas um potencial comprador. Aliás, estou a pensar dizer ao vendedor que é necessário polir o chão e impermeabilizar a parede que está a criar humidade. Ou isso ou baixa o preço.

 

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10 respostas a Vou comprar uma escola

  1. josé sequeira diz:

    Acho que desta vez o governo entalou os “profes”.
    É evidente que é muito mais fácil dar umas aulas, faltar muito, subir automaticamente e estar sistematicamente descontente e a protestar.
    Dar o corpo ao manifesto, gerir, esforçar-se, ser parte do sucesso e também do insucesso é um bocadinho mais complicado. Como também é muito mais penoso ser “profe” num colégio privado. Enfim tudo está a mudar.
    Os reaccionários vão levar para trás. Atenção, neste caso, os reaccionários são a troupe do Mário Nogueira, os que querem que tudo fique na mesma.

  2. alberto diz:

    Fechar o negocio rapidamente, que estes gajos estão a saldar o país ao desbarato, vendem e ainda pagam por cima.

    • Maria Fernandes diz:

      Não percebo bem o sentido da exclamação, mas se é o que penso, responder-lhe-ia “MALÉFICA IGNORÂNCIA!”

  3. Pingback: Reforma ortográfica do Estado | os dias do pisco

  4. dariosilva diz:

    Há uísque na garrafeira para atender os pais?

  5. joshua diz:

    Posso ajudar-te. Com dois euros.

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