Acordo Ortográfico: a defesa impossível de Isabel Duarte

Isabel Duarte é Doutorada em Linguística pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde é, neste momento, Professora Associada. Em entrevista recente ao Jornal de Letras (04-04-12/17-04-12), e a propósito do Acordo Ortográfico, declarou o seguinte:

“Não me parece que [o Acordo Ortográfico] esteja a ser um problema tanto na Universidade como nas escolas. Tirando a questão do hífen, que faz um pouco de impressão, acho que as pessoas perceberam muito rapidamente que passaram a escrever de uma forma muito mais próxima da forma como pronunciam. A escrita etimológica tem lógica para quem sabe latim e conhece a origem da palavra, mas não para a esmagadora maioria das crianças.”

Lê-se e não se acredita que possa ter sido uma pessoa informada a emitir opiniões destas.

Vamos por pontos:

1 – o Acordo Ortográfico está a ser um problema. Mesmo que se tratasse de um instrumento válido, a sua implantação causaria sempre problemas. Uma vez que é um documento deficiente, também sob o ponto de vista pedagógico, só pode estar a ser um problema;

2 – as pessoas não perceberam nada, porque não estão interessadas em perceber. Para além disso, há poucas pessoas interessadas em explicar e, de qualquer modo, o Acordo é tão mau que se torna inexplicável;

3 – uma vez que, segundo Isabel Duarte, uma das grandes virtudes do Acordo Ortográfico reside na esotérica aproximação entre escrita e pronúncia, aguarda-se uma revisão que conduza, por exemplo, à substituição de “o” por “u”, sempre que a primeira vogal corresponder a [u], passando a escrever-se “gatu”. Prevê-se uma discussão interessantíssima acerca das modificações nas palavras escritas com “x”, entre muitas outras;

4 – a aprendizagem de uma língua, sobretudo num estádio inicial, não se baseia, necessariamente na “lógica”, porque ensinar é, muitas vezes, impor primeiro e explicar depois (por vezes, muito depois). Aliás, e tendo em conta o ponto anterior, que lógica verá a criança no facto de haver letras que podem representar mais do que um som? Entretanto, convém lembrar que muitos aprenderam a “escrita etimológica” sem saber latim. Para além disso, e quase a propósito, é necessário relembrar a importância do ensino do latim, pelas mais variadas razões, incluindo as ortográficas.

O respeito que tenho pelos estudiosos só não é religioso porque não tenho tendência para divinizar seres humanos. Um currículo como o de Isabel Duarte deveria obrigá-la a argumentar com o rigor que se exige a um estudioso.

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2 respostas a Acordo Ortográfico: a defesa impossível de Isabel Duarte

  1. Rogerio diz:

    PJA, brilhante!

  2. PJA diz:

    Presumo que a deficiente doutorada não escreva a letra H, porque não se lê.
    Eu traduzo para a doutorada perceber:
    przumu q’ â dfisient dôturadâ naun xrqêvâ â lêtra âga, purq naun s’lê.
    Irra! Quanto lhe pagam para promover a estupidez?

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