Miserável cavaqueira

Sempre que fala, Cavaco deve pensar que soa épico, quando, na realidade, não passa de pífio. Se se pudesse ouvir e tivesse inteligência suficiente para se aperceber de que consegue criar palavras insignificantes, ficaria tão envergonhado que, decerto, faria voto de silêncio, garantindo, só por si, a despoluição da política e da língua, ambas tão maltratadas. A ridícula nulidade de Cavaco torna Eça tão actual que só podemos ver isso como uma maldição terrível para um país cuja classe dirigente continua a gouvarinhar-se.

Paula Teixeira da Cruz, a ministra alegadamente da justiça, arguida inimputável no assalto ao dinheiro dos cidadãos portugueses, deixa a ameaça – hipótese seria eufemismo – de que o roubo dos chamados subsídios poderá continuar para além de 2015. Vítor Gaspar, que confunde inteligência com lentidão, descobriu, espantado, que as receitas fiscais caíram mais do que aquilo que ele previra, como se outros já não tivessem previsto e repetido que a receita alemã só poderia provocar uma lusa indigestão.

Diante destas notícias, Cavaco está confiante no futuro, que é “promissor”, porque aquele nome não existe sem este adjectivo, especialmente quando o truísmo é o pilar de tudo o que dizemos.

Segundo o Presidente da República, uma das razões para que o futuro seja promissor, reside na “sólida determinação” do governo, “num ambiente em que sido possível manter um grau relativamente elevado de diálogo político e social”. Trata-se, portanto, de um grau não demasiado elevado, mas não será, com certeza, um grau baixote, atarracado.

Sulcando, depois, os caminhos da História, Cavaco resume assim a epopeia do financiamento lusitano: “Portugal sempre superou com sucesso, e mais rapidamente do que o previsto, as suas crises de financiamento externo. Estou certo de que o conseguiremos fazer uma vez mais.” Não se apercebe, pobrezito, de que seria estranho superar fosse o que fosse sem sucesso, mas, de resto, mantenhamos a esperança de que apareça um outro Camões que cante esta eterna capacidade de resolver as eternas crises do financiamento externo.

Diante deste panorama sem horizonte, em que “cavaquear” pode tornar-se, rapidamente, num palavrão, só ficaria consolado se o desperdício de palavras e o optimismo postiço fossem crimes públicos de iure. De facto, são-no.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Política nacional com as etiquetas , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s