O exame-napperon

Tendo em conta a prática, a definição de político talvez pudesse ser ‘alguém cuja actividade consiste em fazer o contrário do que promete ou o oposto do que parece defender’. A definição está bastante incompleta, mas penso que é possível afirmar que um político será, no fundo, uma espécie de mitómano imputável.

Nuno Crato resolveu passar de comentador a político. O discurso de ambos é semelhante, com constantes referências à importância do “rigor” e da “exigência”. É em nome desses dois pilares que o político resolveu aumentar o número de exames.

Entretanto, e rejeitando sempre o labéu de economicismo, o político Nuno Crato tomou uma série de medidas que tornarão ainda mais difícil o exercício do “rigor” e da “exigência”, uma vez que todas elas são, no fundo, antipedagógicas. Refiro-me, entre outros disparates, à criação de mega-agrupamentos, ao aumento do número de alunos por turma e à consequente dispensa de recursos humanos absolutamente necessários.

Os alunos continuarão, portanto, a frequentar uma escola em que não há cantinas, em que deixarão de ser conhecidos pelo director, em que poderão não ser reconhecidos pelos professores, em que não haverá aulas de apoio, enfim, um arremedo de escola. No fim de cada ciclo, o exame, qual napperon, servirá para decorar.

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