A tasca do editorial

“Jornalismo” e “comunicação social”, ao contrário do que se pensa, não são expressões equivalentes. Fazer jornalismo é uma actividade caída em desuso, baseada no rigor e na análise. A comunicação social não é mais do que uma expressão equívoca que serve para albergar vários profissionais, confundindo jornalistas e opinantes vários, dispensando a maioria das exigências da investigação e permitindo a muitos o exercício do mercenarismo sensacionalista.

António Ribeiro Ferreira, que até terá carteira de jornalista, é apenas um comunicador social que se limita, há vários anos, a aproveitar as tribunas que lhe têm sido concedidas para, de modo deselegante e tendencioso, dar livre curso às suas embirrações, ajoelhando, deslumbrado, diante de qualquer político marialva, o fascínio de todos os pequenos reaccionários que têm transformado o jornalismo em comunicação social, no pior dos sentidos. Este é o mesmo António Ribeiro Ferreira que ficou deslumbrado com Maria de Lurdes Rodrigues, como não podia deixar de ser.

Neste texto, o director do i, como é costume, encosta a barriga ao balcão da tasca e escarra. Não seria grave se estivesse nos copos, entre amigos ou conhecidos. Torna-se sério quando se trata de um texto escrito por um (presumível) jornalista que é director de um (alegado) jornal.

Mesmo não valendo a pena perder muito tempo a analisar excreções, seria importante, por exemplo, que António Ribeiro Ferreira explicasse como sabe que foram contratados “apenas os professores necessários e suficientes para as escolas cumprirem as suas obrigações, ou seja, darem aulas aos alunos.” Diante do protesto dos professores e dos sindicatos, um jornal sério dedicaria tempo a investigar se as escolas têm, efectivamente, professores suficientes. O problema do i é ser um órgão de comunicação social. Um jornal é outra coisa. Ribeiro Ferreira é só inclassificável.

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2 respostas a A tasca do editorial

  1. carmo diz:

    Lamento, para além da falha relativa ao apuramento dos factos, o tom irónico com que o texto foi escrito, pois na escola do século XXI a preocupação dos professores está muito para além de ensinar a fazer as contas sem máquina de calcular! Não há dúvida que mesmo nas suas profissões, há pessoas que necessitavam de fazer uma atualização…

  2. Ricardo diz:

    O número de professores em excesso nas escolas é inversamente proporcional à quantidade de asnos que zurram por esse mundo fora. À falta de melhor palha neste pobre lameiro, temos que levar com tipos destes!!!!

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