Rico é antónimo de trabalhador

Américo Amorim: “Não me considero rico. Sou um trabalhador.”

Uma moedinha para ajudar AMÉRICO AMORIM, esse trabalhador pobrezinho

 

Américo Amorim teve o mérito de confirmar aquilo de que muitos já desconfiavam: em Portugal, não é possível enriquecer a trabalhar. Mais do que um dado económico, esta descoberta tem implicações semânticas: a partir de agora, trabalhador e rico são antónimos. Consequentemente, trabalhador, pobre ou pedinte passarão a ser sinónimos.

Já imagino Amorim à porta da igreja da sua freguesia: “Uma esmolinha para um trabalhador esfomeado!” Prevejo, ainda, a beatitude que invadirá Dom José Policarpo ao ver que, afinal, todos os portugueses fazem sacrifícios. Antevejo uma nova frase na próxima tradução da Bíblia: “Felizes os trabalhadores de espírito, que deles será o Reino dos Céus.”

O próprio adagiário português – adivinha-se – sofrerá algumas modificações: “Quando a esmola é muita, o trabalhador desconfia.” O mesmo adagiário, no entanto, poderá deixar o governo em maus lençóis perante o Além: se se passar a dizer “Quem dá aos trabalhadores, empresta a Deus.”, é provável que o Criador comece a queixar-se de alguma falta de liquidez, até porque o Céu não tem a capacidade de endividamento da Região Autónoma da Madeira.

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