Os portugueses e as boas ideias

 

Por vezes, dou por mim a pensar que temos um conflito com as boas ideias ou com o conceito de “boa ideia”. Muitas vezes, tenho mesmo a impressão de que não fazemos ideia do que seja uma boa ideia.

Para muitos, uma boa ideia é boa por ser nova ou inovadora ou como tal considerada. Nestes casos, um dos habituais e paupérrimos argumentos em defesa da alegada boa ideia consiste em desvalorizar qualquer crítica fazendo uma referência genérica às habituais resistências ao que é novo, o que, na realidade, é apenas um não-argumento. É assim que se tem defendido o Acordo Ortográfico e é assim que o mundo da Educação tem sido torpedeado constantemente com ideias inovadoras, entre muitos exemplos que poderiam ser escolhidos.

A nossa problemática relação com as boas ideias reveste-se, ainda, de outra particularidade: qualquer boa ideia com provas dadas noutros países parece deteriorar-se no preciso momento em que entra em território nacional.

A regionalização, por exemplo, é, em princípio, uma boa ideia, mesmo num país pequeno como o nosso, pelo que representaria, entre outras coisas, de maior proximidade entre administração e cidadãos. O problema está nos pequenos e grandes caciquismos e restantes perversões que as autarquias e as regiões autónomas revelam.

Resumindo, ou temos más ideias que anunciamos como boas ou estragamos as boas ideias que outros tiveram. Assim, é difícil.

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3 respostas a Os portugueses e as boas ideias

  1. Pedro Coutinho diz:

    Uma boa ideia só se pode sobressair pelo fundamento de outras boas ideias. Cada pensamento individual é o resultado de um processo de suposições críveis e controláveis, permitida pela aquisição constante de informação que momentaneamente se reverte a idealizações concretas, exactas e/ou desacertadas, através da capacidade própria de somar terminações consistentes. O resultado da reflexão de determinado assunto pode pois reverter-se a uma ideia. Assim, não posso concordar integralmente que uma mesma ideia possa estraguar por completo uma outra, visto que o processo de desenvolvimento através da inovação é só conseguido pelo aprefeiçoar e regeneração dos erros ponderados. Logo, uma boa ideia é só possivel pela reflecção das variadas ideias por outros originadas. Então qualquer ideia aproveitada para a criação de outra não pode ser totalmente arruinada, pois a valorização dela mesma permanece no seu inventor e consequentemente como elemento integrante da ideia inovadora. É portanto, somente danificada pelo conceito de utilidade da mesma.
    A minha ideia mesmo sendo má pode ser melhor do que outra, no entanto continua a ser má, mas não por completo.
    À questão de que uma boa ideia qualquer que seja, quando subordinada em Portugal “parece deteriorar-se” como afirmou, pode justificar-se pela simples e inócua razão de que quando imposta não teria algum suporte de sua utilização, ou seja, foi empregue aquando em desnecessidade.
    Poderia desenvolver mais ainda este assunto, mas não o farei.
    Contudo, gostei do seu texto apesar das discórdias.

  2. Caro António F. Nabais,

    Dada a temática abordada, tomei a liberdade de publicar este seu “post”, com o respectivo link, no
    .
    Regionalização
    .

    Cumprimentos

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