Ainda o exame de Português: a inútil divulgação de documentos úteis é muito GAVE

O Paulo Guinote denunciou a existência de documentos confidenciais que o GAVE distribuiu pelos professores classificadores, como aconteceu com o que se referia ao exame de Português. Esses documentos foram produzidos com base nas dúvidas manifestadas pelos próprios professores classificadores.

Começando pelo princípio, a existência de dúvidas sobre exames e critérios elaborados ao longo de um ano só pode resultar de uma de duas razões: ou houve defeitos a montante e a elaboração foi defeituosa ou os professores classificadores têm graves dificuldades de compreensão. A verificar-se qualquer uma das hipóteses, estamos diante de problemas graves que seria importante identificar e resolver. Entretanto, algumas opiniões vão sendo conhecidas, como esta.

Seja como for, a verdade é que os documentos foram criados e, pelo que sei, no caso do exame de Português, vieram trazer informação importante para os professores classificadores, uma vez que foram acrescentados descritores aos já existentes nos critérios de classificação, para além da indicação de outros pormenores nada menores.

Tendo em conta que, efectivamente, houve alteração de critérios, qualquer aluno deveria poder usar o conteúdo dos referidos documentos na argumentação do recurso, como é óbvio, límpido ou cristalino.

Ora, depois de permitir a divulgação dos documentos confidenciais, os senhores do GAVE, humoristas por vocação, anunciam que os pedidos de reapreciação não podem basear-se no conteúdo desses documentos que, entretanto, deixaram de ser confidenciais, exactamente para estarem disponíveis (não sei em que zona da Internet) para serem usados nas reapreciações. Gostaria muito de saber como é que se pode usar um documento não se podendo usar o respectivo conteúdo, mas o GAVE terá razões que a razão desconhece.

Deixo, aqui, uma pequena e simples demonstração: na resposta à pergunta 2.1. do Grupo I, a resposta prevista pelos critérios é “As terras”. Assim, um classificador teria de atribuir  zero pontos a respostas como “terras”, “Terras” ou outra qualquer resposta semelhantes que não estivesse entre aspas. O documento outrora confidencial prevê que se aceite todas essas hipóteses. Imagine-se, agora, que, por qualquer razão, o classificador considerou errada uma resposta que, à luz do documento confidencial, é, afinal, considerada correcta: o aluno que requeira reapreciação, ao não poder recorrer às instruções do documento, não poderá, na realidade, reclamar a reposição dos cinco pontos a que teria direito.

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3 respostas a Ainda o exame de Português: a inútil divulgação de documentos úteis é muito GAVE

  1. Pingback: Ainda o erro do exame de Português de 12º – Aventar

  2. Eduarda Lemos diz:

    Portugal no seu Melhor, só pode ser!…
    Eduarda Lemos

  3. Estou hesitante: oscilo entre o riso, a náusea e o estranhamento…
    Este país é a sério?

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