Exames nacionais: de quem é a culpa?

A propósito deste texto.

Seria importante que a Bárbara Wong blogger aprendesse com a Bárbara Wong jornalista a indicar as fontes em que se baseia, para que os leitores pudessem confirmar alguns dos dislates que aponta à “blogosfera da educação” sobre os resultados dos exames.

É evidente que, diante das diferenças de resultados, é muito importante reflectir e é claro que não devemos excluir nenhuma hipótese, incluindo a possibilidade de os professores terem tido muitas, poucas ou nenhumas responsabilidades. No entanto, quando os resultados sofrem alterações tão grandes em pouco tempo, é preciso desconfiar e fazer algumas perguntas simples (e ser jornalista ou investigador é sobretudo saber fazer perguntas), como, por exemplo, esta, especialmente a propósito do exame de Português de 12º: será que, de um ano para o outro, os professores ou os alunos pioraram tanto que se tornasse inevitável o descalabro que se verificou?

É claro que a blogger Bárbara Wong prefere indignar-se com a putativa falta de reflexão de uma classe docente que anda há anos a alertar para a excessiva variação dos exames ou para o facilitismo ou para o empobrecimento curricular, entre muitos outros problemas que prejudicam os jovens. A jornalista Bárbara Wong, por outro lado, não deve ter tempo para fazer as perguntas necessárias e investigar.

Entretanto, e no que se refere ao Português, há, pelo menos, uma correcção a fazer: trata-se de uma disciplina com dois blocos semanais de 90 minutos e não apenas um.

Finalmente, e combatendo a ironia com ironia e respondendo ao mau gosto com mau gosto, calculo que a “blogosfera da educação” tenha mesmo atribuído culpas à menina esquecida, que não tinha nada que adormecer, pois claro.  

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Uma resposta a Exames nacionais: de quem é a culpa?

  1. Rui diz:

    O facto da Bárbara Wong estar fartinha, até porque acompanha de perto todo a loooonga longuíssima campanha dos professores contra as inumeráveis injustiças a que foram submetidos – a única classe do funcionalismo público que antes de serem congeladas as progressões da função pública já haviam atravessado dois anos e meio de congelamento – dizia, o facto de estar exausta de ouvir as mesmas, repetidas, quase insuportáveis justificações dos professores, uma cassete, um loop, uma argumentação recorrente, etc etc etc, não a deve fazer esquecer que, tal como não é verdade que quando se repete uma mentira ela não se torna numa verdade, o facto de se repetir insuportavelmente uma verdade ela não se transforma numa mentira. As escolas são, sim senhor, um armazém de crianças. E sim, o que distingue um professor de um jornalista, ou de um blogger é que um professor não pode esquecer-se de nenhuma criança. Por isso pedem a sua demissão. Ao contrário das jornalistas que agem e escrevem de forma simplista, com argumentos de grosseira rusticidade, convencidas que os professores – esses malandros que são todos iguais – pensam de uma maneira. Uma só.

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