Prova de acesso à actividade docente

Nos últimos vinte-trinta anos, graças ao desleixo das entidades responsáveis, a fiscalização/avaliação da qualidade do ensino universitário falhou, sendo que esse mesmo desleixo esteve presente no facilitismo (ou no favorecimento) com que se permitiu a abertura de muitas instituições de ensino superior que não têm a qualidade exigida. Em algum momento da história, seria importante – neste como em outros assuntos – que palavras como “autonomia” e “fiscalização” não fossem endeusadas e, sobretudo, que não fossem antónimas.

Assim, e tendo em conta o facilitismo de que alguns somos cúmplices e outros culpados, é natural que cheguem à universidade ou às escolas superiores de educação alunos com preparação insuficiente e é natural que as situações relembradas aqui e aqui aconteçam e não admira que continuem a acontecer.

Para resolver este problema, muitos, incluindo o actual Ministro da Educação, defendem que se deve sujeitar os licenciados em cursos de formação de professores a um exame de acesso à profissão.

Calculo que seja pretensão das pessoas razoáveis que o desejo de exigência no ensino volte a imperar entre os responsáveis governativos. Nesse dia que se deseja que não seja utópico, que sentido fará que um estudante que conseguiu tirar um curso superior que o prepara para dar aulas tenha de fazer uma prova de acesso a uma profissão para cujo desempenho terá de estar obrigatoriamente preparado? A criação dessa prova seria, afinal, uma maneira de disfarçar o verdadeiro problema: a falta de fiscalização e de avaliação dos cursos superiores.

Como solução transitória, e tendo em conta a situação presente, parece-me admissível pensar numa prova de acesso à profissão. Essa prova poderia, ainda, constituir um dos elementos de avaliação das instituições que preparam os professores.

Entretanto, seria importante que a exigência e o rigor voltassem a assumir letra de lei e a ser prática corrente na vida das escolas, para que os alunos cheguem bem preparados a qualquer ciclo de ensino. No que respeita, mais especificamente, à preparação para o exercício da actividade docente, seria muito importante que se recuperasse o anterior modelo de estágio pedagógico, com atribuição de turmas ao estagiário, sob a supervisão de um orientador de estágio e de um professor universitário. Entretanto, nenhuma destas questões pode ser desligada de outras duas: a avaliação docente e a formação contínua.

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