(Re)PISA

Graças aos resultados alcançados nos testes PISA de 2009, José Sócrates aproveitou imediatamente para defender que tal sucesso se deveu ao seu primeiro governo, incluindo no elogio a nunca suficientemente elogiada Maria de Lurdes Rodrigues. Deu-me, então, para fazer algo que o país e eu fazemos raramente: contas. Descobri, com brilhantismo, que os meninos que tinham quinze anos em 2009 teriam entrado para o primeiro ano do primeiro ciclo em 2000. Nem me dei ao trabalho de recuar até ao pré-escolar, por onde poderão ter passado nos três ou quatro anos anteriores, porque tenho direito a ser tão preguiçoso como o país.

Sempre com o mesmo brilhantismo, descobri que, nos primeiros cinco anos de escolaridade dos meninos que participaram nos referidos testes, Portugal teve outros três primeiros-ministros e quatro ministros da Educação. Poderemos, então, depreender das palavras de Sócrates que, na escolaridade de um jovem, só interessa verdadeiramente o período que vai dos 12 aos 15 anos, sendo que todo o percurso anterior não inclui aprendizagens fundamentais e que, portanto, todo o trabalho dos governos anteriores não terá contribuído para os resultados do PISA? Será possível que Sócrates esteja a cometer a deselegância de incluir no rol dos inúteis dois outros ministros do tempo em que a Educação era uma paixão, quando António Guterres era Primeiro-Ministro e José Sócrates Ministro do Ambiente?

Sempre com o intuito de ajudar, permitindo que se possa pensar em anunciar a repartição do mérito na atribuição dos prémios PISA 2009, aqui ficam os nomes dos ministros da Educação entre 2000 e 2005: Augusto Santos Silva (14-09-2000/03-07-2001), Júlio Pedrosa (03-07-2001/06-04-2002), David Justino (06-04-2002/17-07-2004) e Maria do Carmo Seabra (17-07-2004/12-03-2005).

Para que a divisão do mérito ficasse plenamente estabelecida, seria interessante incluir os nomes de todos os alunos que participaram nos testes, para além dos respectivos encarregados de educação, dos membros dos conselhos executivos das escolas por onde passaram, de todos os professores, de todos os funcionários das escolas onde estiveram e de todos os que possam ter contribuído para a sua educação.

A publicitação de todos estes dados poderia constituir mais uma prova de que é necessária uma aldeia inteira para educar uma criança. Felizmente para Portugal, Sócrates reformulou esse adágio: “Para educar as crianças, basto eu e – pronto, vá lá – a Maria de Lurdes.”

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Educação com as etiquetas , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

12 respostas a (Re)PISA

  1. Pingback: Noite de PISA – Aventar

  2. Pingback: Eu é que sou o pai da criança! – Aventar

  3. Pingback: Concurso de professores: ai que horror, o centralismo! – Aventar

  4. Pingback: A pressa é inimiga da Educação | os dias do pisco

  5. Pingback: Pisa em números, o universo e a amostra | Aventar

  6. Ricardo diz:

    Estranho!!! Hoje, tal como o tipo siciliano com nome de filósofo grego, acho-te com vistas curtas. Então como raio restringes a análise ao pós 2000. Como não dás mérito a uma política de educação cujos méritos têm dezenas de anos? Esqueceste meu estimado amigo como somos pioneiros, há vários anos, em fazer exames ao Domingo (Sunday em Inglês Técnico)? É a educação em full-time. Agora é que andam para aí uns palermitas com umas ideias “modernas” a dizer que os professores não devem dormir na escola. Camelos!!!!!! Perdão: dromedários (chega-lhes bem uma)!!!

    • É evidente que não há “mérito”, porque sabemos que estes resultados não são bons e que a realidade ainda é pior. Só quis confirmar a má-fé de Sócrates em querer colher os louros de um “mérito” que, a existir, nunca poderia pertencer só a este governo, mas a muita gente.

  7. tapor diz:

    A colagem oportunista do pinóquio a estes resultados é chocante. estratégia barata: era só o que faltava querer que os professores fiquem chateados pelos bons resultados dos alunos. Eu diria que os resultados froam bons apesar da sinistra milu e do socas! Diria porque sabendo como esta gente é aldrabona só acredito na lisura dos resultados do Pisa se o ministério divulgar a lista das escolas que participaram nos estudos bem como o perfil dos alunos em causa. ora, á boa maneira de quem tem algo a esconder, esta gente nega! dejá vú…
    Tapornumporco

  8. Pingback: Ainda PISA « A Educação do meu Umbigo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s