Catolicismo homérico

Há uns anos, o então ministro Rui Gomes da Silva descobriu a figura da “cabala involuntária” de que estaria a ser alvo o governo de Pedro Santana Lopes, primeiro-ministro que, nos últimos seis anos, tem sido promovido à qualidade de afinal não era assim tão mau. Aliás, não é a primeira vez que os socialistas conseguem levar o mundo a descobrir qualidades insuspeitadas em mediocridades sociais-democratas, como se pode verificar pela cadeira em que se senta Durão Barroso.

Já na altura, me interroguei como seria possível alguém estar a realizar uma cabala de modo involuntário. Cheguei a andar desconfiado de mim mesmo, porque, sem querer, poderia estar a montar uma cabala contra alguém ou contra alguma coisa e podia não saber. Temia que a polícia de choque me arrombasse a porta a qualquer momento, acusando-me de conspirações que estaria a urdir, distraído como sou. Vários amigos deixaram de me falar, cansados de me ouvir perguntar-lhes: “Olha lá, tu achas que eu sou agente involuntário de uma cabala?”

É devido a este meu passado talvez duvidoso que me solidarizo com Homer Simpson. Na verdade, o Vaticano garante que a personagem de animação é católica, mesmo que o queira esconder. No fundo, é um católico involuntário. Está para ali deitado, a coçar a barriga e a comer donuts, evitando, ao máximo, trabalhar ou educar os filhos e, sem mais nem menos, descobrem-lhe um catolicismo quase exemplar.

Esta é, efectivamente, uma das especialidades da Igreja, como uma das maiores indústrias hermenêuticas da História: forçar signos a significar. Não me espantaria que o Vaticano viesse a descobrir virtudes cristãs em determinadas actrizes, por tanto invocarem o nome de Deus e por tanto ajoelharem. O próprio rei Herodes verá, brevemente, confirmada a sua condição de católico, tendo imitado o próprio Jesus, antecipando o “Deixai vir a mim as criancinhas”, sendo que a parte em que as manda matar é absolutamente irrelevante e poderá até ter relevado de um amor excessivo. É claro que há sempre o risco de, por tanto conjecturar, ainda se vir a descobrir que o Vaticano não é católico.

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3 respostas a Catolicismo homérico

  1. Carmo Ribeiro diz:

    Já há muito que não me ria tanto!
    Que mais irão descobrir??

  2. Isabel Prata diz:

    O Homer e o Bart são católicos?! Eles são é satânicos! Aliás, quem for mesmo muito atento, verá que a igreja frequentada por estas duas personagens e restantes elementos da família Simpson é muito mais protestante do que católica. Bah!

  3. Manuela Cerca diz:

    Bem. Mesmo muito bem visto, amigo Pisco! Sempre atento e descortinador de verdades “involuntárias” ou serão cabalas?

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