Os “rankings” e a luz da liberdade

A divulgação dos rankings é fundamental por variadíssimas razões, como aqui demonstra bem o Paulo Guinote.

No entanto, desde que essa divulgação começou, houve sempre lugar a um simplismo que se nota, imediatamente, em títulos como a “Melhor Escola do País é…”. Se é verdade que os alunos poderão ter dificuldades em alcançar bons resultados sem uma boa organização dos recursos, não é menos verdade que a sua origem sócio-cultural é, quase sempre, determinante para os resultados escolares.

Por isso, continua a fazer-me espécie que, no momento seguinte à divulgação dos rankings, os responsáveis pelas melhores escolas apareçam, imediatamente, a explicar o que se faz especificamente nessas escolas para que sejam obtidos tão bons resultados, como se aquilo que se faz especificamente nessas escolas não fosse, tantas vezes, feito nas outras em que os resultados são piores.

Encontrar exemplos no impossível é desnecessário e, contudo, seria suficiente: colocar os alunos de meios desfavorecidos numa das escolas com melhores resultados causaria uma queda no ranking. Dentro do possível, julgo que haverá, por esse país fora, muitos professores que, tendo diferentes turmas do mesmo ano, verificaram que os alunos obtiveram resultados diferentes: se a diferença não estava no professor, onde estava ela?

Mais recentemente, a divulgação de rankings tem sido utilizada pelos defensores da chamada “livre escolha”, para defender que os problemas da educação estarão resolvidos se os pais tiverem direito a escolher a escola onde querem pôr os filhos. A verdade é que essa liberdade já existe, mesmo quando se exerce contornando a lei, mas só pode ser alcançada pelas famílias com formação e/ou poder económico suficientes para a conseguirem exercer.

Defender que os problemas da Educação estariam resolvidos com a propagação de colégios de Nossa Senhora do Rosário pelo país fora é de um simplismo irrealista e nasce do erro de se pensar que os problemas educativos em Portugal são apenas problemas educativos, quando, na realidade, nascem de uma sociedade que desistiu da Educação.

A solução não passará, com certeza, pelos preconceitos de uma esquerda que defende a inclusão, prescindindo da exigência, mas não está, certamente, no deslumbramento bacoco pelos ideais da livre iniciativa defendidos pelos neo-conservadores americanos, que, a coberto de uma suposta liberdade, querem ensinar o criacionismo nas escolas.

 A questão não está em mais Estado ou em menos Estado, está no Estado certo. A governação de Sócrates, por muito que o Partido se diga Socialista, não é de esquerda, é de direita e, muito pior do que isso, é incompetente.

Poderemos perguntar-nos: como é que um texto sobre rankings acaba assim? Esta pergunta não podia ter uma resposta mais vaga e justa: isto anda tudo (muito) ligado.

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Uma resposta a Os “rankings” e a luz da liberdade

  1. Cláudia S. Tomazi - Brasil SC diz:

    Apenas que a exposição do ranking exibe a conquista. Ora, não é assim que funciona no esporte? Digamos que o conhecimento também assimila corridas, o que inegávelmente é uma característica da evolução, dos países, da reputação das instituições de ensino, da categoria pedagógica, e da cognição de cada idivíduo, passando por estruturas cujo interesse desperte a ambição por este troféu chamado luz da liberdade…

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