Prémios IgNobel: palavrões e sexo oral

Prémios IgNobel: dizer palavrões alivia a dor e demais ciência improvável

O cientista Richard Stephens confirmou, finalmente, o poder analgésico do palavrão, facto que eu já conhecia empiricamente há muitos anos, graças a contactos desastrados com esquinas maldosas e martelos estrábicos. Há lá coisa melhor que andar aos saltinhos pela casa agarrado a um pé amassado pela perna de uma mesa, debitando comentários obscenos acerca do facto de que essa mesma mesa tem como mãe uma meretriz barata e chama pai a um touro barrosão que, de qualquer modo, só sabe que é touro e duvida de que seja pai!

Lembro-me sempre de uma história que a minha avó conta repetidamente, de lágrimas nos olhos de tanto rir, quando, uma vez, por se ter desequilibrado num autocarro, pisou violentamente um senhor que, imediatamente, se dedicou a percorrer o corredor ao pé-coxinho, gritando, ao mesmo tempo que agarrava o pé agredido: “Porra, minha senhora, que me aleijou tanto!” É claro que esta história se passou em Lisboa, o que se nota pela contenção vocabular e, até, por um vocativo estranhamente respeitoso.

Tivesse esta história ocorrido no Porto e a minha antepassada estaria corada até hoje: é que um dos produtos típicos da Invicta é, exactamente, o palavrão, sendo, inclusivamente, de estranhar que não se venda em lojas gourmet de todo o mundo. Aliás, foi paradigmática e feliz a argumentação usada por Pinto da Costa em defesa das indefesas obscenidades de Carlos Queirós, quando, recentemente, explicou aos jornalistas que “filho da puta” pode ser uma expressão profundamente carinhosa, bastando, a quem o queira confirmar, um passeio pelas ruas portuenses.

Aconselha-se, entretanto, ao dito cientista uma visita ao Porto, onde poderá confirmar, mais do que o carácter analgésico, o uso preventivo do palavrão, sendo provável que as actuais gerações de tripeiros, ainda hoje, não sintam dores, ao mesmo tempo que continuam a trabalhar para que até aos bisnetos não haja sofrimento físico.

Finalmente, ainda a propósito de outras descobertas fundamentais, acredito que a de Gareth Jones, prémio IgNobel da Biologia, passará a constar da argumentação masculina a favor dos favores orais e adivinho já um novo vocativo a surgir na intimidade humana: “minha morceguinha da fruta.”

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , , , , . ligação permanente.

8 respostas a Prémios IgNobel: palavrões e sexo oral

  1. João diz:

    f…-se!, que p… de “cumbersa”! (estava a ver se conseguia anestesiar aqui um dente, que me está a começar a doer…) :)))))

  2. Amorim Costa diz:

    Porra, António, estás mesmo (ins)pirado!…Mas olha que, em outros tempos, tive um confessor que me dizia que eu precisava de dizer mais vezes “foda-se”. è mesmo verdade. Já morreu, coitado. Era uma óptima pessoa.

    • António Fernando Nabais diz:

      Ó Amorim, ainda se vai inaugurar a teologia do palavrão. Um homem que dá conselhos desses deve ter morrido em odores de santidade.

  3. Carmo Ribeiro diz:

    A descoberta da” morceguinha da fruta” como prémio IgNobel da Biologia está muito boa!!

    • António Fernando Nabais diz:

      Estes prémios demonstram a aplicação prática das ciências e mereciam mais publicidade.

  4. Ricardo diz:

    Muito bom!!!!! As “esquinas maldosas e os martelos estrábicos” são do CARALHO…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s