E os autocarros para Lisboa?

O poder é, demasiadas vezes, sentido como um privilégio, quando, na verdade, é, apenas, uma responsabilidade. Ter poder implica que cada comportamento ou cada decisão tenham um reflexo sobre os inferiores hierárquicos. São tantos os exemplos:  ser pai, ser juiz, ser médico, ser professor, ser governante.                                                                    

O facto de alguém possuir poderes sobre a vida profissional de outras pessoas contém, de modo evidente, o poder de afectar a vida particular dessas mesmas pessoas. É por isso que a incompetência é tanto mais perigosa quanto maior o poder detido pelo incompetente.

Um amigo, professor, casado com uma professora, escreveu-me, contando que a mulher foi ultrapassada num concurso, graças, no mínimo, à desorganização e incompetência do Ministério da Educação. O meu amigo enviou a mesma informação para vários sindicatos, estando a aguardar respostas. Uma visita aqui permite confirmar que esta história não é caso único.

Entretanto, a vida dos professores contratados continua dependente das várias arbitrariedades decorrentes da incompetência, da ligeireza e da desorganização que campeiam pelo Ministério da Educação. Milhares de professores necessários ao sistema não têm direito a efectivar e, como se isso não bastasse, confrontam-se com situações dúbias que afectam profundamente a sua vida pessoal.

A crítica desiludida do meu amigo, no entanto, estende-se, ainda, para lá do Ministério: “Os autocarros para Lisboa já devem estar com os motores a aquecer… digo eu. A “luta” continua… um dia destes… se calhar…” Seria muito fácil desvalorizar a dureza de tais palavras, dizendo que são ditadas pelo coração, como se esse não fosse um dos caminhos para se chegar à razão.

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Uma resposta a E os autocarros para Lisboa?

  1. Ricardo diz:

    Colegas, estamos duplamente entregues à “bicharada”. Quanto ao ministério, já sabemos com o que contar. Mas os sindicatos… vejam a página inicial dos sites de todos eles. Avaliação, avaliação, avaliação… E estas situações? Quer eu, quer a minha mulher somos contratados. Ela acaba de ser ultrapassada (ou as notas informativas da DGRHE são uma idiotice) Contactei por mail vários sindicatos. Respostas? ZERO. Não estamos a falar de “avaliação”, “titulares”, etc. estamos a falar de meios de subsistência das pessoas. Como se dizia (e voltará a dizer) de pão. Era bom existir um sindicato de professores (também dos contratados). Não era?

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