A culpa é dos clássicos

“No tempo dos meus pais, e até em boa parte no seu e no meu, costumava ser a pessoa que ficava aquém. Agora é a disciplina. É muito difícil ler os clássicos; logo, a culpa é dos clássicos. Hoje, o estudante faz valer a sua incapacidade como um privilégio. Eu não consigo aprender isto, portanto alguma coisa está errada nisto. E há alguma coisa errada no mau professor que quer ensinar tal matéria.”

A Mancha Humana, p. 255

Philip Roth

[Biblioteca Sábado]

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4 respostas a A culpa é dos clássicos

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  3. Olá, amigo Pisco

    De facto, hoje em dia, parece que, no que diz respeito à educação dos nossos jovens, houve um estranha inversão do ónus da prova: os alunos já não tem que se esforçar para andar p’ra frente, a escola é que tem que andar p’ra trás. Isto é grave e deve preocupar-nos a todos. A ideia de que aprender deve ser divertido é falsa. Aprender dá trabalho. Se se puder conciliar o divertimento à aprendizagem tanto melhor. Caso contrário, paciência.

    Deixo-lhe aqui um texto que escrevi, há tempos, para o meu blogue, o Interjeições – que desde já o convido a visitar – espero que goste.

    Se houvesse facebook no tempo de Pessoa.
    Se houvesse facebook no tempo de Pessoa, talvez Fernando Pessoa não tivesse necessidade de criar os seus próprios amigos imaginários: bastaria um clique para que Pessoa tivesse à sua disposição um enorme sortido de ” amigos” que, convenhamos, são tudo menos reais. Se houvesse facebook há um século atrás, talvez Ode Triunfal fosse apenas o título dado a uma manchete d’A Bola alusiva a uma qualquer vitória da selecção portuguesa frente ao Azerbeijão. Se houvesse facebook no tempo de Pessoa, talvez Ricardo Reis fosse apenas o nome de um qualquer actor de novelas da TVI. Se houvesse facebook no tempo de Pessoa, talvez Livro do Desassossego fosse apenas um dos epítetos da imensa panóplia a que Saramago recorre quando se quer referir à Bíblia. Se houvesse facebook no tempo de Pessoa, Pessoa talvez não tivesse escrito uma carta a Adolfo Casais Monteiro a explicar a origem dos heterónimos – ou, pelo menos, a explicação para as suas origens seria diferente, possivelmente Alberto Caeiro tivesse nascido durante uma partidinha de Farmeville, daí O Guardador de Rebanhos. Se houvesse facebook no tempo de Pessoa, em vez de Chevalier de Pas talvez Pessoa se amigasse com um Lucho Silva ( que, ao que parece, é um dos nomes mais recorrentes nas redes sociais).Se houvesse facebook no tempo de Pessoa, a Mensagem talvez se chamasse SMS ou, em alternativa, E-mail. Se houvesse facebook no tempo de Pessoa,talvez Portugal não tivesse aquele que é, hoje, indiscutivelmente, o seu segundo maior embaixador cultural no estrangeiro logo a seguir a Zezé Camarinha ( logo nós, portugueses, que admiramos tanto o Éden que é ” lá-fora”). Se calhar é nisto tudo que Miguel Sousa Tavares pensa quando diz que “ o facebook é a maior ameaça do século”… mas, em princípio, é só parvoíce

    • António Fernando Nabais diz:

      Ora viva, caro escrevinhador. Obrigado pela visita. Já passei e passarei pelo Interjeições.

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