Um problema de inteligência pública

A

“Estudantes têm cada vez mais dificuldades de base a Matemática”

“Os alunos são igualmente inteligentes. A formação é que é o problema. Na década de 1990 instalou-se a ideia romântica de que a aprendizagem tem de dar prazer e isso não é uma verdade absoluta. Vivemos um problema de inteligência pública.” 

Paulo de Carvalho, professor de Teoria da Informação e Computação Gráfica na licenciatura em Engenharia Informática na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
    
 
 
     Qualquer universidade terá as mesmas razões de queixa e é importante a ressalva de que estes problemas nada têm a ver com falta de capacidades das gerações mais novas.
      Os alunos chegam neste triste estado ao final do Ensino Secundário devido à conjugação de vários factores, sendo de realçar os que são da responsabilidade dos agentes políticos: a moda que impõe o lúdico como principal caminho pedagógico (anatematizando a memorização e a repetição e, até, a compreensão), a imposição de um estatuto do aluno progressivamente permissivo no que se refere à assiduidade e ao comportamento e o facilitismo progressivo de todos os aspectos curriculares.
     No meio disto tudo, os professores, infelizmente, têm cada vez menos espaço para terem culpas, porque a sua função está reduzida à de um proletário indiferenciado que se deve limitar a cumprir ordens caídas das luminárias tão governativas como ignorantes.

 

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3 respostas a Um problema de inteligência pública

  1. É curioso, Isabel: concordo com tudo o que afirmas, mesmo quando discordas do que escrevi. Nós somos vistos como proletários indiderenciado; também me recuso a ver-me como tal. O problema é que somos obrigados a um esforço escusado, porque, para atingirmos os nossos objectivos, somos obrigados a uma constante subversão, uma espécie de autonomia clandestina.Quanto às culpas,sempre houve gente a alijar responsabilidades, é verdade. O problema é que o sistema criado nos últimos seis anos, na prática, retira-nos responsabilidades, porque também nos retira poder de decisão e autonomia.

  2. Anonymous diz:

    Concordo…As gerações mais novas também são obviamente capazes e mereciam muito mais do que estas sucessivas políticas educativas tacanhas e pedantes.Concordo em parte…Sou "proletária indiferenciada", é verdade, mas recuso baixar os braços. Um professor que não seja subversivo na sala de aula não move, não agita, não transforma. Não chegamos a todos, mas se mudarmos um… (Também é uma ideia romântica, eu sei, eu sei…)Não concordo…Não acho que os professores tenham "cada vez menos espaço para terem culpas". Só se lhes der jeito…Isabel Prata,professora "insuportável, desenfreada, simplesmente horrível"mãe de duas futuras jovens estragadas "até ao mais profundo do coração".

  3. João Sá diz:

    Tudo isso é verdade, mas isto também:1. “A nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, goza as autoridades e n… Ver maisão tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Não se levantam quando um velho entra, respondem aos pais e são simplesmente maus.”2. “Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje assumir o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.”3. “O nosso mundo atingiu o seu ponto crítico. Os filhos já não ouvem os pais. O fim do mundo não deve estar longe.”4. “Essa juventude está estragada até ao mais profundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.”A primeira é de Sócrates (470-399 a.C.), a segunda de Hesíodo (720 a.C.), a terceira de um sacerdote do ano de 2000 a.C. e a quarta estava escrita numa vaso de argila descoberto nas ruínas de Babilônia (actual Bagdade) e tem mais de quatro mil anos.

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