Pós e contas

 

Ontem, estive a assistir, pela segunda vez, a um “Prós e Contras”. O primeiro foi o da semana passada. Ambos se dedicaram à Educação.

            Aqui ficam algumas notas/dúvidas/perplexidades:

           

            1 – Qual a necessidade de uma sala com tanto público para discutir com profundidade um assunto tão importante? É televisão indecisa entre ser informação ou ser entretenimento.

            2 – Para se falar sobre Educação, Fátima Campos Ferreira não convidou professores.

            3 – É evidente que foram ditas algumas coisas interessantes que deveriam fazer-nos pensar.

            4 – No entanto, a verdade é que a Educação foi ontem debatida, por assim dizer, do ponto de vista dos utentes ou de observadores mais ou menos próximos das escolas.

            5 – Então, pergunto: num debate sobre Finanças, fará sentido convidar simples contribuintes? Num debate sobre Medicina, será lógico dar voz apenas a quem tenha estado doente ou a quem esteja internado? Uma discussão sobre Justiça deverá contemplar unicamente réus ou arguidos?

            6 – Isto leva-nos a uma afirmação que, pelos vistos, é estranha para muita gente: os especialistas em Educação são os professores. Os professores constituem uma classe tão qualificada como a dos médicos, dos advogados, dos juízes. Os professores têm a formação que receberam ou procuraram para desempenhar as suas funções. Ainda por cima, são os professores que estão nas escolas, com a experiência do terreno.

            7 – Alguém imagina que só por ver um filme de advogados está apto a defender uma causa? Ver uma série sobre urgências médicas habilita alguém a suturar feridas ou a fazer massagens cardíacas? Dar à luz um ou dez filhos dá direito a diploma de obstetrícia?

            8 – Então, por que raio todos sabem o que é a vida de uma escola e, por atacado, a vida de um professor? Como é possível que qualquer pessoa se sinta no direito de emitir opiniões absolutamente seguras sobre os problemas da Educação em Portugal? Só porque foi obrigado a estar numa escola durante o ensino obrigatório ou porque tem lá os filhos?

            9 – Quero com isto dizer que a Escola se deve fechar? De maneira nenhuma: deve abrir-se o mais possível, mas com os limites muito bem definidos, para que pais, alunos, não docentes, docentes ou representantes da comunidade envolvente não se atropelem.

            10 – Debater os problemas da Educação sem a presença de especialistas não é debater, é conversar, o que também é bom, mas não é suficiente para um programa que gostava de ser informação.

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